CONCEITO VISUAL

A Idéia, quando surge, é uma entidade nua, que se apresenta em meu atelier, sugerindo existência, pedindo roupagem. As técnicas, as mídias utilizadas, os materiais e suportes, são as escolhas da minha possibilidade de perceber a Idéia, entre as coisas do mundo. Vesti-la, dar-lhe forma e estilo, é dar a minha cara à Idéia. Um dia, uma Idéia me ocorreu, esboçada por um forte sentimento. Fiz um desenho na folha branca do papel, com o grafite negro do lápis. Este desenho me olhou e me pediu, em nome da Idéia, para ser colorido e em escala maior, bem maior. Feito o fato, o novo desenho me solicitou um texto, que relatasse a origem do seu acontecimento. O texto exigiu um rítmo, que, desenvolvido, tornou-se trilha, para que as palavras, ditas em voz alta, fossem poesia. POESIA SONORA. A Idéia agora é um disco, é um livro, com escritos e sons, provindos do olhar pidão do primeiro desenho. Reflexo do desejo de me ver no outro, eco do grito de solidão do meu peito, o "Retrato de João Ninguém" levou-me, nesta busca de encontro e identidade, à série "Falta Você", desenvolvida compulsivamente. Vê-los, os pivetes, os anônimos olhando para mim e, ao mesmo tempo me ver no reflexo do vidro da moldura é que a Idéia do sentimento de ausência/solidão/exclusão se completa. São auto-retratos do meu desejo de me encontrar no outro ou a afirmação das unidades, espelhos da solidão. O meu olhar devolvido, procurando por mim mesmo. Quero me ver em você. Quero que você se veja em mim. Flávio Ferraz Lima Outubro de 2004



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