FLÁVIO FERRAZ LANÇA BEM-HUMORADA TIPOLOGIA DO HOMOSSEXUAL MASCULINO“Comigo é assim: a coisa vem doida, abstrata, sem saber se quer ser quadro, música ou poema”, diz o artista plástico, músico e poeta Flávio Ferraz, que lança no próximo dia 9, na livraria A Terceira Margem, o seu “Destrinchando o Veado”. No caso, a inspiração se transformou nesse bem-humorado livro sobre o homossexualismo masculino, que entra no clima de Juiz de Fora em agosto e se antecipa às festas gay, numa espécie de off-Rainbow Fest – não faz parte da programação oficial, mas se afina perfeitamente com ela. O lançamento promete ser bastante festivo e bem ao estilo do autor, que fará sua noite de autógrafos ao ritmo de marchinhas carnavalescas, como as de seus CDs “Peruca Torta” e “A Rainha Reina”. E para completar a mostra dos múltiplos talentos do artista, natural de São João Nepomuceno, uma exposição com as divertidas ilustrações do livro, feitas em parceria com Flávio Vitoi. “Destrinchando o Veado” é leitura descompromissada, com humor afiado e inteligente. Há muitas e sutis variações sexuais abrigadas sob o manto genérico e pejorativo da expressão veado, talvez uma das mais antigas e populares designações para o homossexual masculino no Brasil. Carregada de preconceito, sapecava-se um “veado” a alguém como uma acusação, um insulto, um xingamento. Nada do simpático e integrado “gay” dos tempos mais liberais, menos explicitamente homofóbicos. Hoje veado já não comporta toda a gama de identidades sexuais do universo arco-íris da população, mas permanece como aquele ancestral primevo que abriu caminho para uma árvore de muitos galhos. Ele é o emblema, o arquétipo, a representação simbólica e mítica do homossexual - o número 1 da tipologia estabelecida por Flávio Ferraz em “Destrinchando o Veado”. O humor é ingrediente presente em todas as páginas do livro, sem pudor, claro, mas sem escracho. O homossexual masculino é o tema de sua pesquisa, que não pretende esgotar a catalogação. O autor, inclusive, aceita contribuições para as próximas edições. Por enquanto, sua classificação apresenta 24 tipos, definidos com muita perspicácia e precisão. Ou não é verdade que o termo homossexual é o verbete politicamente correto para “aquele veado que a gente respeita”? Ou que bicha é a expressão perfeita para o homossexual resolvido, feliz e assumido, pleno de uma “existência sem perguntas”? O oposto do enrustido, o homossexual de armário, preso como “larva no casulo”, alma complexa e torturada que pode se tornar uma “bicha-bomba”, prestes a explodir. E o boiola? Ele é o veado “meio sem jeito”, o resultado infeliz de uma “obstrução no nascimento de uma bicha maravilhosa”. Muitas das classificações resultam de fenômenos culturais ou regionais, como o bicha-do-mato, o clubber, a Barbie. Flávio Ferraz descreve todos os tipos fisicamente, identificando-os por sua apresentação visual e distribuindo-os assim por categorias, tipos ou tribos. A identificação é complementada pelas divertidíssimas ilustrações em p&b do livro, que acompanham cada modalidade. Mas o livro é principalmente feliz nas observações sobre o comportamento social e o perfil psicológico de cada tipo. E apesar do tom brincalhão, não deixa de abordar questões mais sérias, como a sexualidade infantil e o preconceito. O livro, que surgiu como um protesto ou uma reação à restritíssima possibilidade de enquadramento de um ser humano nas fichas cadastrais, em que só se pode optar entre M e F (sexo masculino e sexo feminino), mostra que sexualidade é algo muito mais profundo e complexo do que a simples diferenciação por gênero sexual. Mas, sem qualquer pretensão sociológica e longe de ser bandeira ou produto de uma militância gay, “Destrinchando o Veado” simplesmente diverte. “Destrinchando o Veado” não é o primeiro título publicado por Flávio Ferraz. O autor tem duas obras infantis, “O Galo que Acordava o Dia”, que foi o primeiro livro brasileiro ilustrado por computador, e “A Cartola Mágica”, com a história totalmente contada por ilustrações. Como poeta, “publicou” o CD “Poesia Sonora”. Como artista plástico, realizou várias exposições individuais e participou de coletivas e salões, no Brasil e no exterior. Além disso, participou como ator dos filmes “Vertigem” e “Labirinto de Pedra”, do cineasta juizforano José Sette. Seu currículo ainda inclui trabalhos de cenografia, decoração e carnaval.
Lançamento de “Destrinchando o Veado”
www.aterceiramargem.com.br
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