PERUCA TORTA

Você então me pergunta porque essa coluna se chama PERUCA TORTA?!...

Seria simplório, neste pé da vida, eu responder que é o título de uma música, uma marchinha que fiz para o carnaval 2002, cuja letra está no boxe ao lado.

No entanto é. (1)

Acontece, que vira e mexe, vendo as coisas e vivendo por aí, deparo-me com isto: Peruca Torta.

Não vem você me dizer que eu lhe dei uma excelente idéia, logo após eu apresentar uma idéia que me ocorreu. "Baby, leia na minha camisa:"- Vendo idéias.(2)

Não vejo graça de trabalhar de graça. Olha bem, que nos tempos digitais e analógicos mesmo o relógio funciona com gasto de pilhas e bateria.

Colou os cílios errado.

Aí você me diz que é tudo ponto de vista.

Ou olho de vidro, nos tempos da pirataria...

Depois, sem mais nem menos, no meio do encanto, você me diz que a sua transa é outra.

A gente perde o rebolado no meio da folia e vomita um montão de palavras e conceitos para se defender do desencanto.

Eu sou movido a ilusão. Não vem não!

Cortar as arestas do meu diadema, as pontas da minha coroa! Ah! Isto eu sou. Coroa. O tempo é implacável e a gente começa a duvidar da gente própria. Caducar também pode ser um estado de inocência, portanto de amor.(3)

O mundo retumba de incoerências desnorteantes.

O risco Brasil!

O noticiário alardeia hoje uma catástrofe para amanhã.

O que será de nossas vidas?

O que tem sido afinal?

Está pensando o quê?

Não é mole não.

Saber o que eu sou é quase impossível a cada dia. Depende de previsões econômicas, astrológicas e scambau.

Daí, como manter o penteado?

A peruca fica torta. A minha, a sua.

Não existe memória!...

Manter aparência de quê?

Se no peito, um conflito de incertezas e dúvidas, balança o coreto, oscila os índices, desaba o palanque.

"Levantar a poeira e dar a volta por cima."- é filosofia de sábios carnavais. O bloco tem que sair! A única coisa com data certa é o carnaval. Não dá pra adiar a folia.

Tem que ter é muito peito, equilibrar no salto e retocar o batom.

Mesmo porque o importante é o espírito da coisa.Reconstruíram até Hiroshima!...

Portanto, não há bolha no pé que um bandaid não alivie.

Não há delírio que a ciência, um dia, não justifique.

"Pode largar pra lá."- você me diz na assepsia de sua distância cibernética.

Enquanto isto, tento por os pés no chão e o que eu consigo é um ataque infernal de bicho de pé e carrapato.(4)

Título na mão, vamos às urnas!

(1)-Fazer marchinha de carnaval nesta época de massificação é, em si, um fato de peruca torta.

(2)-Gostaria tanto de escrever: "I love you"

como Caetano Veloso nos tempos da Tropicália.

(3)-"Amar é a eterna inocência.

E a única inocência é não pensar"- já disse, bacaninha o Fernando Pessoa em seus versos.

(4)- Quero caminhar com os pés no chão.

Mas os saltos dos sapatos devem ser bem altos

Para que a minha cabeça fique nas nuvens.